FORMAÇÃO EM GERIATRIA NA REGIÃO DO PIEMONTE: PERSPETIVAS SOBRE LONGEVIDADE E INOVAÇÃO NO CUIDADO À PESSOA IDOSA EM ASTI
Parole chiave:
geriatria, longevidade funcional, cuidado territorial, inovação em saúde, demências, cuidados paliativos, comunicação clínicaAbstract
O envelhecimento populacional exige que sistemas de saúde fortaleçam competências e redes capazes de sustentar não apenas a sobrevida, mas a capacidade funcional, a autonomia e a dignidade da pessoa idosa. A World Health Organization (WHO)[3] define “healthy ageing” como o processo de desenvolver e manter a capacidade funcional que possibilita bem‑estar na velhice, resultante da interação entre capacidade intrínseca (física e mental), ambiente e suas interações. [4] Nesse enquadramento, inovação em geriatria envolve tanto tecnologias quanto, sobretudo, modelos organizacionais e práticas clínicas integradas, com ênfase em prevenção, continuidade e coordenação do cuidado.
Este artigo consubstancia-se em relato de experiência decorrente de estágio observacional realizado entre 15 e 30 de janeiro de 2026, no âmbito de programa internacional de formação articulado pela Rede Geronto[5] em cooperação com a Azienda Sanitaria Locale AT[6], no território de Asti[7],8]. A própria ASL AT comunicou publicamente ter recebido, até 30 de janeiro, delegação brasileira para conhecer projetos locais de envelhecimento saudável e ativo, incluindo dispositivos de prevenção cognitiva, cuidado geriátrico hospitalar e cuidados paliativos (notícia institucional publicada em 2 de fevereiro de 2026). [9]
A metodologia adotou abordagem qualitativa descritiva, baseada na análise de registros diários (Rapporto Stage) e observação em cenários hospitalares e territoriais. Os resultados foram organizados em quatro eixos: (i) cultura de mobilidade e “longevidade funcional”; (ii) integração territorial com centralidade de estruturas de coordenação (COT/PUA) e fortalecimento de enfermagem comunitária, em consonância com a reforma italiana da assistência territorial (DM 77/2022); [10] (iii) prevenção do declínio cognitivo por meio de iniciativas comunitárias e suporte ao cuidador; [11] (iv) robustez e maturidade dos cuidados paliativos respaldados por marco legal (Lei 38/2010) e por padrões organizativos recentes que ampliam a noção de paliativos para além da terminalidade. [12]
Conclui-se que a formação em geriatria, quando ancorada em princípios de longevidade funcional, ganha potência ao combinar: avaliação multidimensional e reabilitação; governança territorial e transições seguras; prevenção cognitiva baseada na comunidade; e cuidados paliativos com competência ética e comunicacional (incluindo ferramentas estruturadas como SPIKES). [13]
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