COMUNICAÇÃO E TOMADA DE DECISÃO COMPARTILHADA EM CUIDADOS PALIATIVOS: UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE AS EXPERIÊNCIAS ITALIANA E BRASILEIRA

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Parole chiave:

Comunicação em saúde , Tomada de decisão compartilhada , Cuidados paliativos

Abstract

 

O artigo “Comunicação e Tomada de Decisão Compartilhada em Cuidados Paliativos: uma análise comparativa entre as experiências italiana e brasileira” analisa a comunicação como eixo estruturante da tomada de decisão compartilhada (TDC) na assistência a pacientes com doenças ameaçadoras da vida. Inserido no contexto do envelhecimento populacional e da crescente prevalência de doenças crônicas avançadas, o estudo fundamenta-se na definição de cuidados paliativos da Organização Mundial da Saúde, que enfatiza a prevenção e o alívio do sofrimento físico, psicossocial e espiritual. A pesquisa parte da hipótese de que a criação de espaços formais e contínuos de diálogo entre equipe multiprofissional, pacientes e familiares promove maior alinhamento terapêutico e percepção de dignidade no processo de morrer.

Trata-se de um estudo descritivo-qualitativo, com revisão sistemática da literatura publicada entre 2020 e 2026 e imersão técnico-científica em serviços de geriatria e cuidados paliativos na Itália. Foram analisados consensos da Academia Nacional de Cuidados Paliativos e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, além de estudos internacionais que relacionam comunicação estruturada à confiança, satisfação com o cuidado e redução do sofrimento moral.

Os resultados evidenciam convergência entre diferentes cenários assistenciais quanto ao papel central da comunicação na TDC. Estudos internacionais demonstram que a inclusão de pacientes e familiares nas decisões, associada à clareza informativa e ao suporte emocional, impacta positivamente a percepção da qualidade da morte e do cuidado. A realização de reuniões familiares em unidades de terapia intensiva mostrou-se associada ao aumento da confiança na equipe médica, enquanto a comunicação contínua e a revisão periódica de objetivos terapêuticos fortalecem vínculos e reduzem conflitos decisórios. A experiência italiana observada em hospice revelou modelo consolidado de simultaneous care, com integração precoce dos cuidados paliativos ao tratamento modificador da doença, tempo protegido para reuniões familiares e cultura institucional que reconhece a terminalidade como parte legítima da assistência.

Em contraste, o cenário brasileiro ainda apresenta predominância hospitalocêntrica e encaminhamentos tardios para cuidados paliativos, frequentemente associados à terminalidade iminente. Esse contexto reduz o tempo disponível para planejamento antecipado e impõe decisões complexas em momentos de crise e sobrecarga emocional. O estudo conclui que a precocidade do diálogo constitui o principal diferencial entre os modelos analisados. Mesmo diante de limitações estruturais, estratégias comunicacionais — como validação de emoções, revisão contínua de metas e reuniões familiares estruturadas — apresentam aplicabilidade imediata e potencial mensurável para qualificar a assistência.

Assim, a tomada de decisão compartilhada é compreendida não apenas como modelo clínico, mas como compromisso ético com a autonomia relacional, a dignidade do paciente e a proteção da saúde emocional das equipes, consolidando a comunicação como o recurso terapêutico mais potente e imediatamente disponível no cuidado paliativo.

 

Pubblicato

2026-04-08